INACABAMENTO

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Sobre o “Inacabamento”

Publicado por Renata em 12/10/2007

“Como professor crítico, sou uma “aventureiro” responsável, predisposto à mudança, à aceitação do diferente. Nada do que experimentei em minha atividade docente deve necessariamente repetir-se. Repito, porém, como inevitável, a franquia de mim mesmo, radical, diante dos outros e do mundo. Minha franquia ante os outros e o mundo mesmo e a maneira radical como experimento enquato ser cultural, histórico, inacabado e consciente do inacabamento.” (FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. SP:Paz e Terra, 1996.)

Ouvi falar pela primeira vez em “Inacabamento” quando estava cursando a faculdade de Pedagogia na Uni-Rio,  especificamente quando comecei a estudar Paulo Freire. Lembro que o professor pediu para lermos “Pedagogia da Autonomia” de forma anti-pedagógica: colocou o nome do livro no quadro e disse que dia “tal” faríamos uma prova baseada na leitura do mesmo. O professor nunca “sentou” com a turma para debater as questões do livro. Fizemos a prova e o resultado: metade da turma levou bomba, inclusive eu! Poxa, mas eu achava que havia entendido tudo sobre “inacabamento”, sobre “curiosidade epistemológica” entre outras questões que o autor abordava. Fui para a recuperação pela primeira vez na faculdade. Na prova resolvi escrever exatamente tudo igual, pois o professor teve a cara de pau de aplicar a mesma prova. Resultado: tirei 8,0!!! Até hoje eu não sei o que fiz de diferente naquela prova. Não sei como saí de um 4,0 para um 8,5! 

Confesso que mesmo depois de tanta confusão em torno da leitura deste livro, das provas e do professor (que era um professor substituto – pois a faculdade estava com “falta de professores”), dos poucos livros que li do Paulo Freire esse é o que eu mais gosto! Gosto porque marcou a minha vida positivamente. Mesmo sabendo da insanidade que este professor estava fazendo, estava otimista com o meu progresso como pedagoga. Me sentia viva mesmo diante das dificuldades, pois queria muito aprender e queria muito tentar entender as atitudes que o professor estava tomando. Queria estar por dentro de tudo que acontecia ao meu redor. Não queria ser engolida por uma onda alienante. Queria saber cada vez mais. Enfim, me tornei consciente do inacabamento. Queria aprender mais e mais e tinha esperanças que um dia conseguiria atuar na minha área de graduação.

O inacabamento serve em minha vida para ter consciência que não somos fortalezas possuidoras de conhecimento, pois sempre temos algo mais a aprender. Me refiro não só a conhecimentos teóricos, acadêmicos … me refiro à vida, ao inesperado do dia seguinte. Quero continuar sendo um “ser inacabado”!

Desejo resgatar a minha curiosidade epistemológica, resgatar a minha alegria, energia, paciência … desejo me entender e ter paciência para entender as pessoas ao meu redor. Desejo ter paciência e coragem para me abrir para o novo, para o desconhecido, sobriedade para notar meus erros e tolerância para quando meus erros forem identificados e apontados pelos outros. Desejo ser inteligente, desejo ser mais amiga dos meus amigos, desejo ter mais do que 24 horas para fazer as coisas que preciso e desejo fazer. Eu quero e preciso aprender cada vez mais sobre todas as coisas que me interessam e sobre as coisas que detesto. Então … eis o nome do meu blog: “Inacabamento”!

Quero viver, quero amar, não perder criança que existe dentro de mim, que se pergunta a todo o momento o “por quê” das coisas … quero trabalhar (na minha área), quero ter o prazer da Pedagogia, quero continuar amando o Teatro …

Teatro?! Isso é tema para outro “post”!!!

That’s all folks!!

4 Respostas para “Sobre o “Inacabamento””

  1. Oi Rê. Que noticia boa q vc voltou. Seja bem vinda de volta a blogosfera.
    Desejo muito sucesso a vc.
    Big beijos

  2. Andrea disse

    Hum… blog novo…
    Adorei sua reflexão! Quanto ao professor… é uma pena que ele, assim como muitos outros, não dê importância ao aprendizado dos alunos, pois são eles que exercerão a profissão no futuro. Provavelmente ele nem leu a primeira prova direito, mas…
    Felizmente o que mais conta é o aprendizado que adquirimos e isso vc conseguiu!
    Mil beijossssssssss, Andrea

  3. Gabrielle disse

    Rê, muito bom texto. Acho que esta sua mescla entre educação e teatro resultaram numa produção de texto artística e profunda. Costumo dizer q é muito difícil alguém que tenha tido o contato com a Educação deixar de lançar sementes sejam elas para educar, para refletir, para treinar ou para construir saberes… Vc é uma dessas pessoas. Já vejo suas reflexões virando um belo livro. Guarde essas produções! Feliz dia do professor !!! Abraço de urso para ti! Gabi

  4. Flávia disse

    Olá Rê! Ja te dei os Parabés pelo seu ótimo texto por e-mail, mas pela profundidade do texto vale a pena parabenizar muitas outras vezes!!! Ah, concordo com a Gabi, suas reflexões podem gerar um livro excelente… Livro que serve para refletir, mas também questionar. Afinal, estamos sempre na busca de respostas. Bjs.

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